quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MENOS É MAIS

Por Joannes Lemos

Já virou clichê falar que os brasileiros não aturam mais pagar tantos impostos, e na contramão disso tudo, não ver os resultados proporcionais de tanto dinheiro arrecadado pelas esferas governamentais. Todos nós padecemos do mal dos impostos excessivos. Uma boa notícia foi o anúncio recente do governo paulista da redução do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). A novidade para os paulistas é que o imposto dos veículos cairá entre 10% e 15% em 2010, efeito da redução nos preços dos veículos usados por causa do corte do IPI dos veículos novos.

Em contrapartida, para quem mora na capital, agora vem uma notícia nem tão agradável. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) lançou estudos de mercado que vão reavaliar os valores dos imóveis na cidade de São Paulo. Entende-se que propriedades em bairros como Higienópolis, Barra Funda, Limão e Vila Maria, entre outros, tiveram valorização muito grande, e, por isso, cogita-se aumento na cobrança do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano), que poderá sofrer acréscimo de até 357%. O valor varia de acordo com a valorização de cada região.

Por enquanto, isso está apenas em projeto, que será encaminhado para a Câmara Municipal para votação, podendo entrar em vigor após as eleições do próximo ano. Mas o comunicado da comissão de avaliação é contraditório. Eles afirmam que áreas próximas à marginal Tietê, onde inundações deixaram de ser habituais, tiveram valorização que chega a 307%. Ao mesmo tempo, Luiz Paulo Pompéia, da comissão de valores imobiliários, afirma que áreas vulneráveis a enchentes tiveram desvalorização. Há pouco tempo regiões próximas da Marginal Tietê foram atingidas por uma enxurrada, quando as águas invadiram até o prédio da TV Brasil, na Vila Leopoldina. Os critérios chamam atenção pela incoerência.

Se o aumento nos impostos significarem mais homens nas ruas limpando a cidade e evitando mais alagamentos, mais merenda escolar na rede municipal de ensino, mais linhas de metrô – que poderiam ser concluídas com mais rapidez –, entre outras benfeitorias, valerá e muito a pena pagar o aumento proposto no IPTU. Afinal, está em jogo o aumento de mais de R$ 1 bilhão na arrecadação da prefeitura.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

AS HELENAS DO MANECO

Por Joannes Lemos
A dinastia de protagonistas cristianizadas com o nome de Helena surgiu da pena de Manoel Carlos na novela “Baila Comigo”, de 1981. A primeira a sentir na pele a responsabilidade de viver a mulher-marca do autor foi a saudosa Lilian Lemmertz (mãe da atriz Julia Lemmertz). A inspiração oculta, talvez inconscientemente, venha da primeira novela que o autor escreveu, “Helena”, baseada na obra de Machado de Assis e exibida em 1952 pela extinta TV Paulista.

Desde “Baila Comigo” foram sete novelas com uma Helena encabeçando o elenco, oito se for levado em conta a atual “Viver a Vida”. Em 1991, depois de alguns anos dando o ar da graça em outras emissoras brasileiras e estrangeiras – quando escreveu, entre outras, “Brilho” para a TV colombiana e “Isabella, Una Mujer Enamorada” para a TV peruana –, Manoel Carlos retorna à TV Globo com a missão de escrever uma novela para o horário das 18h. Surge “Felicidade”, uma história leve e adequada ao horário em que foi ao ar. Tinha como protagonista Maite Proença, uma das Helenas mais bonitas de Maneco. No elenco de “Felicidade” também estavam Tony Ramos, Laura Cardoso e Vivianne Pasmanter. A novela foi um sucesso retumbante, marcando média geral de 45 pontos.

Depois desse grande sucesso, Maneco escreve outra novela com a missão de levantar a audiência das 18h. Em 1995 vai ao ar “História de Amor”, uma novela bem ao estilo de “Felicidade”. Foi a primeira trama de Manoel Carlos em que Regina Duarte interpreta uma Helena. Isso voltaria a acontecer outras duas vezes, mas, sem dúvida, foi nessa novela que ela fez isso melhor. Na trama, a personagem de Regina entrava constantemente em conflito com sua filha Joyce, vivida por Carla Marins. Cabe ressaltar os nomes de peso da novela, como Eva Wilma, Cláudio Correa e Castro e José Mayer. Com esse time de novela das oito, a história de Helena e companhia foi mais uma vez um grande sucesso da carreira de Manoel Carlos, com média geral de 40 pontos no Ibope.

Não demorou muito, e pouco mais de um ano e meio após o término de “História de Amor” o público já se via às voltas com mais uma Helena. “Por Amor”, de 1997, trazia novamente Regina Duarte ao papel principal, desta vez contracenando com a própria filha Gabriela Duarte. O elenco de peso com nomes como Antonio Fagundes, Susana Vieira e Cássia Kiss foi mais um motivo pelo sucesso da novela das 20h, que trazia ao centro a história do amor de uma mãe capaz de tudo pela felicidade da filha. A interpretação de Gabriela Duarte não foi lá essas coisas, fato compensado pela atuação de sua progenitora. Na média geral, “Por Amor” fechou com 42 pontos, números razoáveis.

Depois de viver duas Helenas seguidas, o melhor era descansar a imagem de Regina Duarte para a personagem. No ano 2000 a Globo leva ao ar mais uma trama contemporânea de Manoel Carlos. Em “Laços de Família” a Helena da vez foi vivida por Vera Fisher. Provavelmente essa foi uma das melhores Helenas do Maneco. Não apenas pelo fato de que era uma personagem capaz de qualquer sacrifício em nome da vida da filha, mas porque Vera deu um ar de fragilidade, força e sensualidade à personagem, tudo isso ao mesmo tempo. Essa Helena foi capaz de abrir mão de seu novo amor, vivido por Reinaldo Gianecchini, quando descobriu que a filha caía de amores por ele. O sucesso de “Laços de Família” foi grande, marcando média geral de 45 pontos.

Se em “Laços” Helena estava dividida entre a filha e o namorado, na novela seguinte de Maneco a Helena da vez estava dividida entre dois homens. “Mulheres Apaixonadas”, de 2003, trouxe a “enxutassa” Christiane Torloni no papel principal. A personagem estava às voltas no casamento com Téo (Tony Ramos) e se via mexida com seu antigo amor César (José Mayer). Como em suas outras novelas a trama de Maneco era povoada por muitos personagens e grandes nomes, como Dan Stulbach, Helena Ranaldi, Susana Vieira e Cláudio Marzo. A audiência de “Mulheres Apaixonadas” foi ainda maior que a de “Laços”, com média geral de 46,6 pontos no Ibope.

A essa altura do campeonato as histórias de Manoel Carlos se transformaram em figurinha carimbada no horário nobre da Globo. Muitos alegavam que tudo era muito repetitivo. Mas o autor não arriscou com uma trama diferente, e em 2006 vai ao ar mais uma trama contemporânea ambientada no Leblon. Pela terceira vez Regina Duarte interpretava a Helena da história, uma médica com pouca sorte no amor que encontra a razão de viver ao adotar uma menina com Síndrome de Down. Mas foi uma protagonista menos forte do que as outras que a atriz interpretou. Quem roubou a cena na trama foi a personagem de Lilia Cabral, vivendo a amarga Marta. Mesmo sendo uma das novelas mais criticadas de Maneco, “Páginas da Vida” foi o maior sucesso do autor, alcançando média geral de 46,8 pontos no Ibope.

Agora a bola da vez é “Viver a Vida” recém-estreada na faixa da 21h – que a Globo insiste em chamar de novela das 20h. As atenções agora estão voltadas para uma Helena diferente daquelas vistas até então. Interpretada por Taís Araújo, agora a protagonista de Maneco é uma mulher muito jovem, sem filhos, que vive mergulhada no mundo fashion das passarelas. O autor inovou, mas só um pouquinho. Não dá para deixar de mencionar que é uma protagonista negra, a primeira dessa faixa de novelas na Rede Globo, e que mais uma vez a figura feminina principal se envolve com o personagem de José Mayer. A novela estreou com média de 42 pontos. Sorte ao autor e à nova Helena.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

NINGUÉM É EXPULSO

Por Joannes Lemos

O futebol certamente é uma das paixões nacionais, assim como é a novela, a cervejinha e a conversa jogada fora descompromissadamente. No esporte mais popular do nosso Brasil, as regras são claras: levou cartão vermelho, está fora das quatro linhas. Mas não se pode dizer o mesmo da política brasileira.

O que se pode esperar das tribunas que volta e meia são palco de discursos inflamados e bate-bocas acirrados? Parece até cena de novela das 7, conversa de botequim depois de várias cervejas, ou, quem sabe, aquela velha rinha dos times adversários, onde se discute que um é melhor do que o outro. Existe até o gesto de um cidadão que parece querer se rebelar contra as diretrizes de seu time-partido e fazer as vezes de juiz de futebol, empunhando um intimidador cartão vermelho. As faltas graves teimam em acontecer, mas ninguém, por diversas razões, é expulso do time.

Fazer vista grossa em alguns setores no Brasil já virou hábito, e como costume leva ao comodismo tudo parece caminhar como sempre foi. Tudo é continuamente empurrado pra debaixo da grama, ou melhor, para debaixo dos panos. No país do jeitinho, vemos presidente pedindo pra arquivar denúncias contra o leão do norte, outrora seu antigo rival no campo. Observamos o mesmo homem vindo da massa dando apertos de mão em seu antigo concorrente collorido.

Assim como no futebol, o importante na política é sempre respeitar o adversário, num discurso surrado mas que nunca deixa de ser usado, mesmo quando vemos rasteiras, chutes e cotoveladas dentro de campo. Nos vestiários da política tudo termina em tapinha nas costas.

Empunhar um cartão vermelho de forma teatral em um espaço público cercado pela imprensa não significa muita coisa, a não ser fazer repercutir em redes sociais onde o importante é escrever em poucos caracteres sem fazer muito barulho. Afinal de contas nem importa tanto em qual time se joga – pode ser um time democrático, socialista, trabalhista, progressista ou verde. O que interessa para alguns senhores é que nesse campeonato com turno que nunca termina poucos são expulsos. Quando acontece.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

CADA UM NO SEU ESPAÇO

Por Joannes Lemos

Nesta semana o mundo comemora os 40 anos da chegada do homem à Lua. No dia 20 de julho de 1969 a missão espacial Apollo 11 pousava em solo lunar levando Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins, a tripulação da nave. Hoje estamos no século 21, em época de crise e com o governo norte-americano anunciando redução nas verbas destinadas à Nasa (Agência norte-americana de missões aeroespaciais). Uma nova investida em solo lunar parece longe do alvo.

Mas depois de tanto tempo a ida do homem ao satélite da Terra é vista como algo futil. E não é para menos. Pisar no solo da Lua e fincar uma bandeira do Tio Sam foi algo que não mudou muita coisa na história da humanidade, a não ser para mostrar mais uma vez que, vista da Lua, a Terra é mesmo redonda e azul. Para o jornalista Boyce Rensberger, que cobriu a missão Apollo 11 para o jornal “The New York Times” e foi editor de Ciência do “The Washington Post”, a viagem comovia porque era difícil, e hoje tudo parece não fazer muito sentido.

Hoje a Nasa vê com ressalvas os planos de continuar enviando missões tripuladas ao espaço. Projetos que teriam astronautas até 2016 provavelmente não mais acontecerão. É arriscado demais. Já que é possível enviar equipamentos com robôs, pra que expor astronautas a riscos de morte? O histórico mostra que isso é arriscado demais. Basta lembrar do que aconteceu em 2003, quando sete astronautas morreram na explosão do ônibus espacial norte-americano Columbia, que se desintegrou durante o voo de retorno à Terra.

Em 1969, com o auxílio das imagens televisivas, milhões de pessoas ao redor do mundo ficavam na expectativa de como seria o pouso na Lua. Certamente a ansiedade era para saber se aqueles três bravos corajosos conseguiriam voltar ao planeta com vida. Tudo ocorreu bem. Os tripulantes do Apollo 11 foram alçados a heróis, crianças de todo o mundo queriam seus bonequinhos e tempos depois caíram no ostracismo.

Uma espécie de ciclo já imaginado. Hoje não existe mais a hipótese de entusiasmo e empolgação. A era é de ponderação, e um possível repeteco, agora em solo marciano, certamente está fora dos planos. Outras questões devem ter prioridade.

domingo, 5 de julho de 2009

ELE É O MUNDO, ELE É CRIANÇA

Por Joannes Lemos

Uma vida marcada por altos, baixos e muitas polêmicas. Essa é a fórmula básica de uma super-estrela. Michael Jackson não poderia fugir deste padrão, afinal, ele era uma mega-estrela. E tal condição requer todos os holofotes em sua direção. Nos últimos dias pessoas choram, outras não tiram os olhos da TV e da internet. Outros milhares correm às lojas para comprar um disco do ídolo do pop. Este post tardio foi proposital. Porque a verdade é que existia a necessidade de digerir tudo o que era despejado sobre nossas cabeças. Nunca se ouviu, falou e viu tanto a respeito de uma única pessoa. Verdade seja dita: independente de quem seja, é preciso morrer para ganhar a atenção e solidariedade de todos.

Após receber a atenção de todos quando despontou para a fama, ou depois de lançar clipes inesquecíveis, ou ainda depois dos tristes episódios em que estampou as páginas policiais acusado de assédio, agora Michael Jackson novamente toma conta do cenário. Desta vez, porém, ele é o único que não é espectador. Não sabe e não tem como saber de nada do que falam dele. Não tem noção de que as homenagens dos programas especiais das TVs de todo o mundo e das páginas especiais de sites levaram e ainda levam muita gente às lágrimas. A cobertura incessante em cima de sua morte às vezes deixa dúvidas. Michael Jackson morreu mesmo? A pergunta à dejavu Elvis Presley provavelmente vai povoar a cabeça de muita gente.

Dificilmente um astro consegue mobilizar tanta gente ao redor do mundo. Mas Michael era mesmo multicultural, bem como o vemos no clipe de “Black or White”: um astro dançando com diversas etnias, mostrando que seu trabalho é realmente pop. Falando em clipes, esse é um ponto que marcou a carreira de Jackson. Esse tipo de vídeo foi literalmente popularizado com ele, quando lançou em 1982 o clipe de “Thriller”, considerado sua obra-prima.

O Brasil também conheceu o poder multiculturalista de Michael, quando em 1996 ele gravou por aqui o clipe da música “They don’t care about us”, onde ele dança e mostra o que sabe num vídeo gravado na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e no Pelourinho, em Salvador, com o pessoal do Olodum. Aliás, um trabalho belíssimo. Curioso é que em um dos trechos desta música Michael pergunta: “Me diga o que aconteceu com minha vida”, algo que talvez ele nunca tenha conseguido responder.

Michael não esquecia de sua origem humilde. Vindo de uma pobre família negra americana, ele logo conhece o estrelato, quando tinha apenas 10 anos. Nessa época ele cantava com mais quatro irmãos no grupo Jackson Five. Depois se lançou em carreira solo e aconteceu o que todo mundo sabe. Mesmo sendo uma grande celebridade, certamente uma das maiores do show business de que já se teve notícia, ele era engajado. Em 1985 idealizou junto com Lionel Richie o projeto “We Are The World”, para a gravação de um LP que tinha como objetivo arrecadar fundos para o combate da fome na África. O single, LP e o clipe renderam cerca de 55 milhões de dólares. Participaram do projeto grandes nomes da música norte-americana, como Ray Charles, Cyndi Lauper, Bob Dylan, Tina Turner, Diana Ross e Stevie Wonder.

“We are the world, we are the children” em tradução livre, “Somos o mundo, somos as crianças”. Michael Jackson parecia mesmo acreditar que seria uma eterna criança. Sempre rodeado por meninos e meninas ele foi capaz até de criar um lugar chamado Neverland (Terra do Nunca). Assim como Peter Pan, notório personagem infantil, Michael tinha o desejo de ser uma eterna criança. E uma estrela que nunca deixaria de brilhar. Sua amizade com crianças levantou suspeitas e ele se viu envolvido num emaranhado de acusações de pedofilia.

O escândalo gerou grandes perdas com indenizações e um grande declínio por causa da queda de popularidade e credibilidade. Os patrocinadores se afastaram e as dívidas aumentaram. O astro do pop se afundou e parecia cada vez mais distante de uma recuperação. A mesma mídia que o colocara no topo agora o atacava ferrenhamente. Nos últimos tempos Michael Jackson parecia estar morto para a mídia. Ninguém mais falava dele, a não ser para bater na tecla de que ele estava arruinado. Agora esse mesmo artista é responsável pelo aumento de audiência de todas as mídias. Um tremendo paradoxo. Uma enorme perda! Uma mente tão genial, tão massacrada e crucificada vai embora cedo demais. Falar de Michael Jackson parece mesmo ser muito fácil. Difícil era ser ele.
Clique AQUI e relembre o clipe de "We Are The World".

sexta-feira, 5 de junho de 2009

AF 447 - IN MEMORIAN

Por Joannes Lemos

Desastres aéreos podem ser evitados. Principalmente quando a falha vem do comando ou de alguma negligência na manutenção. Mas quando se trata de causas naturais as chances de manobras bem sucedidas são quase reduzidas à zero. Foi o que provavelmente aconteceu com o voo AF 447 da Air France na noite do último domingo, 31 de maio.

O resultado do acidente foi a perda de 228 vidas, que, segundo especialistas, dificilmente terão seus corpos resgatados, em decorrência da geografia do local do acidente, em águas profundas do Oceano Atlântico. Assim como aconteceu com o Titanic, os destroços e as vidas que com ele afundaram estão fadados a repousarem nas profundezas do mar. Um triste fim, principalmente para os parentes, impedidos de enterrar os entes queridos.

Como não existe chance de resgate de pessoas vivas – o que é praticamente impossível em se tratando de acidente aéreo em alto-mar – agora o esforço se concentra no resgate da caixa preta do Airbus A 330. Isso seria fundamental para entender o que realmente aconteceu na noite do dia 31 de maio. Só o que se sabe é que o voo enfrentou uma forte tempestade logo que saiu do espaço aéreo brasileiro. O avião passou for nuvens com tempestades assustadoras, as chamadas Cumulus Nimbus. Uma hipótese seria que fortes rajadas de ar causaram uma turbulência violenta, fazendo com que a aeronave perdesse energia. Outra suposição é de que uma intensa chuva de granizo danificou a cabine, com consequente perda de pressurização.

Independente do que tenha acontecido explicações não trarão aquelas 228 pessoas de volta. Quando os passageiros saíram do Brasil os parentes das vítimas esperavam acordar no dia seguinte ávidos por novidades a respeito de Paris, uma das cidades mais bonitas do mundo. Aguardavam por notícias de pessoas que foram curtir a lua-de-mel, fazer um curso, viajar a trabalho, ou que iam para outros países mas que faziam escala na capital francesa. Mas tudo o que viram na TV na manhã da segunda-feira foram notícias alarmantes. E o que observaram no decorrer do dia e da semana não foi nada alentador. E os meios de comunicação exploraram o assunto a exaustão, com direito a recordes de audiência no ano. As tragédias nos atraem mais do que tudo.

Agora não adianta ficar com medo de viajar de avião. Voar ainda continua sendo um dos meios de transportes mais seguros do mundo, por mais que um acidente aéreo dê chances ínfimas de sobrevivência.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A POPULARIZAÇÃO DAS IMAGENS POR MEIO DAS LENTES FOTOGRÁFICAS

Por Joannes Lemos

A fotografia foi vista por muito tempo como uma arte, e ainda hoje é descrita como tal. E não é para menos, pois o ato da fotografia envolve um verdadeiro ritual, mesmo com o surgimento de inovações ao longo do tempo. Dos equipamentos pesados com rolos de filmes P&B aos modernos equipamentos digitais a fotografia ainda é capaz de despertar deslumbre. A preparação do equipamento, o ato fotográfico, a reprodução do material e o ato de ver como a imagem ficou: tudo isso vem com uma série de significados, que pode variar de sentido e de pessoa para pessoa.

A primeira fotografia oficial de que se tem notícia é datada de 1826, sendo atribuída a Joseph Niépce. Naquele tempo o nobre francês não imaginava o salto que a até então inovadora arte visual daria no tempo. Se hoje qualquer pessoa pode registrar seus mais singelos momentos com uma câmera digital à tira colo, nos tempos de Niépce isso não era tão fácil, a começar pelo tempo de exposição para que a imagem fosse capturada – inimagináveis nos dias corridos de hoje. Além de Niépce outros nomes marcaram o mundo da fotografia, como Daguere e Cartier-Bresson.

Na primeira parte do século XX, antes da 2ª Guerra Mundial, a fotografia esteve presente nos mais diversos contextos, registrando tudo o que podia. Dos momentos trágicos estampados nas poucas fotografias do episódio catastrófico do Titanic, passando pelas agruras dos bombardeios na Europa e do gigante cogumelo levantado após a explosão da bomba atômica de Hiroshima. A fotografia naqueles tempos em que as artes eram mais bem definidas – sem tantas interferências e estilos numa única obra como acontece hoje, que originou a chamada crise de representação – teve papel importante principalmente no sentido de manter viva a memória daqueles que não vivenciaram determinados episódios. Era essa a finalidade e sentido da fotografia, registrando momentos com equipamentos caríssimos e não menos pesados.

Se há muitos anos uma câmera fotográfica era símbolo de conhecimento de uma arte por parte de quem possuía uma dessas máquinas, atualmente ter uma câmera na mão, mesmo que possante, não desperta tanta admiração em quem não a possui – com exceção daqueles que se identificam ou vivem de fotografia. Esse processo de popularização começou primeiro com o barateamento das máquinas fotográficas, facilitando o acesso ao mundo das imagens mesmo por quem antes não sonhava ter uma. Bem mais tarde veio o advento da digitalização, fazendo com que a fotografia e as máquinas caíssem no gosto popular.

Foi na pós-modernidade que a fotografia de fato se depara com seu maior boom, quando em 1990 a Kodak lança a primeira câmera fotográfica digital comercialmente disponível, a DCS 100. De lá pra cá já se vão quase 20 anos, e o significado de tirar uma fotografia se tornou tão popular que é quase banal. É fato que um verdadeiro fotógrafo para ser considerado bom naquilo que faz precisa aperfeiçoar o que tem de melhor. Mas a popularização da imagem através da fotografia deixou muita gente com a sensação de que para fazer boas imagens basta apenas apertar um botão, sem se preocupar com enquadramento, profundidade e composição. Muitos não sabem o que isso significa, outros, no entanto, criaram tanto gosto e empatia com o instrumento que caíram de cabeça na garimpagem das técnicas.

Hoje a imagem de um equipamento fotográfico pode representar vários lances nas cabeças pensantes. Uns notam a profissionalização da arte, outros enxergam um trabalho de fotojornalismo, outros miram seus pensamentos no mundo do glamour. E muitos pensam simplesmente no registro de momentos como a memória de um instante que passou, o que pode trazer à tona sentimentos diversos.

Mesmo com as mudanças distintas que a fotografia experimentou durante décadas, ela se concentra basicamente em interpretar os fatos através das imagens, mesmo que um fotógrafo amador faça isso inconscientemente. E esse gesto pode ser representado não apenas pelo ato de tirar a câmera da bolsa e empulhá-la diante do objeto da imagem, mas atualmente também pela ação de retirar o celular do bolso para registrar momentos simples carregados de sentidos. Mas é importante ressaltar que as referências vão se perdendo no decorrer das mudanças de visual, estilo e função das máquinas.

TV RODAPÉ

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